A PSP registou na época passada 184 incidentes na Liga de futebol, tendo identificado 244 pessoas e detido 39. Em termos médios, isso significa que se contabilizaram mais de cinco incidentes em cada uma das 34 jornadas então realizadas. Os números disponibilizados pela PSP ao PÚBLICO significam um aumento face à temporada 2004/2005, em que se registaram 146 incidentes, foram identificados 72 indivíduos e detidos 36.
Apesar disso e ter sido publicada quase há três anos uma lei que determina que o Instituto do Desporto de Portugal (IDP) deve ter uma base de dados das pessoas interditas de entrar nos recintos desportivos, a listagem continua vazia.
Este é o balanço possível quase um mês depois dos incidentes violentos do Benfica-FC Porto, no dia em que o Estádio da Luz volta a albergar um derby, agora entre Benfica e Sporting. No jogo de hoje a PSP disponibiliza 610 agentes e as claques visitantes voltam ao Piso 0 do Estádio da Luz.
O ministro da Administração Interna, António Costa, afirmou ontem que o relatório sobre os incidentes no Benfica-FC Porto "está em apreciação", não comentando a notícia do semanário Expresso, que dá conta das conclusões do relatório da Inspecção-Geral da Administração Interna. Segundo o Expresso, o inquérito concluiu que "o Benfica e a PSP foram os principais responsáveis pelos incidentes", tendo proposto a instauração de um processo disciplinar ao responsável pela 3.ª divisão da PSP, em Benfica.
A PSP, que garante o policiamento na grande maioria dos estádios da Liga, não especifica o tipo de incidentes registados. Mas adianta que os mais comuns são a posse e uso de artefactos pirotécnicos, o arremesso de objectos, o vandalismo e a desordem entre adeptos.
O IDP, que tem competência para aplicar as coimas no âmbito das competições desportivas profissionais, contabiliza apenas 23 autos levantados pela PSP e pela GNR em 2005 e 14 em 2006. A maioria das contra-ordenações (15) teve origem na utilização de material pirotécnico, proibido por lei. Treze autos foram levantados devido a incitamentos à violência e dez referem-se à venda e consumo de bebidas alcoólicas.
O responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança, Leonel Carvalho, que coordenou a segurança do Euro 2004, acredita que os números não significam um aumento da violência no desporto. "Hoje o controlo é mais fácil com os stewards e com as câmaras de vigilância", defende. "Desde o Euro que as claques estão menos violentas." Mesmo assim, o militar entende que não há razão para baixar os braços. "Se não houver punições fortes, a situação pode agravar-se", diz, lamentando que os tribunais não interditem os infractores de entrar nos recintos desportivos. "Penso que é uma questão cultural", avalia. O presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, António Martins, não acredita que seja um problema de sensibilidade e diz ter conhecimento de alguns casos em que este tipo de medida foi aplicada. "Não sei se o tribunal comunicou ou não ao IDP", diz. O magistrado critica a "inércia" do IDP e estranha que o instituto não tente saber porque é que uma base de dados com quase três anos ainda não tem ninguém.
O procurador distrital do Porto, Pinto Nogueira, tem 36 anos ao serviço do Ministério Público e diz que só teve contacto com um caso de uma contra-ordenação. "As entidades fiscalizadoras têm que nos comunicar as infracções, se não o fazem não sabemos que existiram", remata.
segunda-feira, abril 30, 2007
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Bofialog2: PSP registou na época passada mais de 5 incidentes por jornada |
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MEGALupa: Reportagem da Agência Lusa sobre "momento de viragem" das claques em Portugal |
Quando se fala de claques no futebol duas coisas são claras, para toda a gente: que necessariamente vão continuar a existir, mas que vai ter de mudar alguma coisa, para bem do espectáculo a que pertencem
A ideia de mudança é neste momento muito clara para o poder político, para os clubes, representados na Liga, para as forças de segurança e mesmo para os próprios grupos de adeptos organizados em claques.
Os incidentes no Benfica-FC Porto, a 1 de Abril, voltaram a mostrar que além de serem parte essencial da 'cor' de um grande espectáculo, podem ser também um problema, pela violência que agregam, e que é consensual que urge resolvê-lo. Hermínio Loureiro, presidente da Liga (LPFP) deu o mote, dias depois, «decretando» a «tolerância zero» para as claques, e fazendo eco de legislação já existente pediu o seu registo.
Na passada semana o Conselho Nacional contra a Violência no Desporto (CNVD) foi por aí e no seu seio conseguiu o que parece ser um compromisso histórico entre a Liga, os três grandes e o Boavista para legalizarem as claques até ao início da próxima época.
Poucos dias antes a imagem pública das claques tinha sofrido outra «machadada» forte, com a divulgação pública de um relatório policial que relacionava várias com grupos neonazis, nomeadamente a Portugal Hammerskin.
Uma «má imagem» de que as claques se esforçam por se demarcar, sem no entanto conseguir esbater completamente a auréola de violência, mesmo que sem o triste historial de hooligans ingleses, holandeses ou italianos.
Em Portugal não houve Heysel nem o recente Palermo-Catania, mas ainda não passou a recordação do very-light lançado da bancada do Benfica sobre a do Sporting, na final da Taça de 1996. Desde então que as coisas mudaram um pouco, é certo. Avançou- se em termos legislativos logo em 1998 e sobretudo em vésperas do Euro2004, construindo as bases legais que a CNVD agora quer ver aplicadas.
Quanto à Polícia de Segurança Pública, foi melhorando o seu modo de operar com as claques e praticamente trocou as cargas policias pela acção dos spotters, a funcionar no meio dos adeptos, impedindo na medida do possível os 'rastilhos' de confrontos. O elogio de um dirigente Torcida Verde, do Sporting é assim insuspeito: os spotters são por estes dias a única coisa visível da lei e evitam o que seria uma 'guerra civil' nos estádios.
Há anos que o Sporting cortou com o apoio às suas claques, no que é a posição mais radical entre os clubes grandes, enquanto que no Benfica os privilégios passam, nomeadamente, pela cedência de instalações - mas não no estádio. Ignoradas, toleradas ou mal-amadas, nem por isso deixam de existir, e de serem essenciais ao futebol, que «precisa delas para consolidação das suas características de espectáculo e de espaço de criação de mitos e semideuses», como aponta Manuel Sérgio, professor e filósofo do Desporto.
As visões de futuro são muitas, e variadas, não passando, para o antropólogo Daniel Seabra, pelo actual estado de 'divórcio', ou quase, entre clubes e claques. «Deixando de ser apoiadas pelo clubes, que precisam do seu incentivo às equipas, ficam vulneráveis a perversas influências externas, como por exemplo a grupos radicais de extrema direita», argumenta Seabra, que até advoga o pagamento de ordenados aos responsáveis das claques.
Os tempos poderão, de facto, ser de mudança, se claques, clubes, liga e tutela política - que promete novidades, por via da regulamentação da lei de bases - avançarem no sentido da legalização. Domingo, no Estádio da Luz, as claques dos dois grandes de Lisboa terão uma ocasião soberana de provar que pretendem, mesmo, afastar-se da imagem de violência.
sexta-feira, abril 20, 2007
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Mundofone2: Federação polaca promete erradicar corrupção antes do Euro'2012 |
O ministro polaco dos desportos, Tomasz Lipiec, prometeu que o futebol do seu país vai "desembaraçar-se da corrupção" antes da organização conjunta Polónia/Ucrânia do Euro'2012.
"Desejamos que o futebol polaco esteja limpo de toda a corrupção", disse Tomasz Lipiec, afiançando estarem a ser tomadas medidas próprias de combate às "batotas" e que irá haver em breve clubes castigados de forma a ter "campeonatos a decorrerem apenas com fair play".
A Federação já acusou dois clubes da 1.ª divisão (Arka Gdynia e Gornik Leczna) de corrupção. Na próxima temporada terão de alinhar na 2.ª e na 3.ª divisões, respectivamente, por castigo. Outros dois emblemas, desta feita da 2.ª divisão também serão punidos pelas mesmas razões.
sábado, abril 07, 2007
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Megafonix2: Gato Fedorento sob escolta policial!!! |

Ricardo Araújo Pereira vai ser ouvido na próxima segunda-feira pela polícia na sequência das ameaças feitas na Internet pela extrema-direita por causa do outdoor que os Gato Fedorento colocaram na Praça Marquês do Pombal, em Lisboa, e no qual, de forma humorística, faziam o contra ponto a um cartaz do Partido Nacional Renovador (PNR) que contestava a presença de imigrantes.
Em declarações ao DN, o humorista frisou "que não é a primeira vez que os elementos dos Gato Fedorento são alvo de ameaças", adiantando que face ao sucedido "foram tomadas as medidas de segurança habituais neste caso". O DN apurou, entretanto, que neste momento o grupo tem protecção policial.
O mais carismático dos Gato Fedorento realça, contudo, que "entre o que se diz e o que se faz existe normalmente uma diferença muito grande", frisando que não será de se dar "demasiada importância às ameaças feitas no Fórum Nacionalista, um grupo internacional defensor da raça branca. Comentando o facto de a Câmara de Lisboa ter ontem retirado o cartaz dos Gato Fedorento, Ricardo Araújo Pereira admitiu que desde o início "sabia que a colocação do outdoor era ilegal".
O humorista frisou que já tinham mesmo previsto que caso fossem abordados pelos serviços da Câmara de Lisboa enquanto estavam a colocar o cartaz diriam, "tal como o ex- -vereador Fontão de Carvalho , que ninguém tinha perguntado sobre a legalidade da sua colocação".
Ontem o gabinete do vereador António Prôa, responsável na autarquia lisboeta pelo pelouro do Espaço Público, referiu que "o cartaz em questão não possuía licença camarária". A autarquia esclareceu ainda que "durante o dia 5 de Abril os serviços não detectaram qualquer pedido para a colocação daquele cartaz na Praça Marquês de Pombal", acrescentando que "a ausência de pedido de licenciamento inviabilizou a notificação aos infractores para procederem voluntariamente à remoção". O comunicado realça a necessidade de se seguir "uma política de ordenamento e respeito pelo espaço público da cidade" pelo que "não pode permitir que seja afixada publicidade sem licença".
sexta-feira, abril 06, 2007
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Risoterapia2: Estes Gatos é que são mesmo malucos... |
"Mais Imigração; A melhor maneira de chatear estrangeiros é obrigá-los a viver em Portugal; Bem-vindos; Com portugueses não vamos lá; Nacionalismo é parvoíce."
Para dar ainda mais força à piada dos malucos do Gato Fedorento, só faltava a Câmara Municipal de Lisboa anunciar que o cartaz humorístico foi colocado ilegalmente, sem ter licença, e que como tal será retirado. O do PNR continua lá ao lado, embora com o seu conteúdo praticamente ilegível devido ao vandalismo de que tem sido alvo. O que também não é uma atitude lá muito democrática, dado que todos os partidos legalmente constituídos devem poder vincar as suas mensagens políticas. Mesmo que depois não tenham mais do que 0,1% dos votos...
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Lusofone2: FPF impede Seia de jogar, Liga não faz nada aos seus incumpridores? |
O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) proibiu a União Desportiva de Seia de participar nas competições organizadas e decidiu impossibilitar outros 11 clubes de inscrever jogadores.
De acordo com o comunicado da FPF, o clube de Seia, último classificado da Série C da III Divisão, não pode participar em nenhuma prova desde 23 de Março, «em virtude de falta de pagamento das multas agravadas», devido a falta de comparência nos encontros e «indemnização nos processos disciplinares». A proibição estende-se ainda a novos contratos ou compromissos desportivos de jogadores e caso o U.D. de Seia não regularize a situação será obrigado a cancelar os dos «futebolistas existentes no final da época».
GD Joane, SC Vila Pouca de Aguiar, GD Terras do Bouro, Académico, Desportivo de Águeda e Seixal FC, encontram-se também em situação delicada, por «falta de pagamento das custas em dívida», e poderão ter de actuar com a equipa de juniores na próxima época, caso não resolvam o problema.
A impossibilidade de inscrever ou renovar com jogadores foi estendida ao Ermesinde, Marco, Canelas e Vilaverdense, que foram condenados pelo Tribunal do Trabalho a pagar «determinadas quantias contratuais» a ex-jogadores.
Os clubes podem recorrer da decisão para o Conselho de Justiça da FPF regularizar a situação e pagar as dívidas para levantar os impedimentos.
quinta-feira, abril 05, 2007
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SuperHonra2: Direcção do Vitória de Guimarães denuncia comportamento lamentável do Feirense |

COMUNICADO do Vitória de Guimarães
No âmbito de um acordo celebrado com o Feirense no passado dia 21 de Agosto de 2006, ficou convencionado que o preço dos bilhetes para os jogos a disputar entre ambos os clubes seria de € 10,00.
No estrito cumprimento do acordado, o Vitória Sport Clube disponibilizou aquando da deslocação do Feirense ao Estádio D. Afonso Henriques bilhetes ao preço de 10 € para os seus adeptos.
Apesar de todos os esforços encetados pelo Nosso Presidente e pela Liga de Clubes, na pessoa do seu Presidente e da Directora executiva, junto do Presidente do Feirense no sentido deste disponibilizar bilhetes para os Vitorianos a 10 € tal não foi efectivamente possível, muito embora a Direcção do Feirense tenha tentado numa manobra ardilosa e desonesta demonstrar que iria disponibilizar bilhetes a 10 € e 7,5 €. Quando tentamos adquirir esses bilhetes foi-nos comunicado que já não existiam…
Importa assim esclarecer os Vitorianos e os amantes do futebol do comportamento deplorável tido pela Direcção do Feirense em todo o processo de pedido de bilhetes pelo Vitória Sport Clube, denunciando assim comportamentos que se pretendem que sejam banidos do futebol.
Numa atitude lamentável e condenável, a Direcção do C. D. Feirense, para além de não cumprir com o acordado em Agosto do ano passado, ardilosamente tentou enganar o Vitória Sport Clube e a Liga de Clubes.
Ora não podemos deixar de considerar este comportamento tomado pela Direcção do Feirense uma atitude que em nada dignifica a honorabilidade e as boas relações institucionais que se quer entre os Clubes, a bem do futebol e do desporto em geral.
De todos estes factos já foi dado conhecimento à Liga de Clubes.
A Direcção do Vitória informa ainda que, em respeito e solidariedade para com os seus adeptos, irão assistir ao jogo na bancada, junto dos Vitorianos, não ocupando os lugares a que tem direito pelos regulamentos da Liga.
Apelamos a todos os associados e simpatizantes para que sejam ordeiros e disciplinados, evitando distúrbios que poderão prejudicar o Vitória Sport Clube, nesta importantíssima recta final do campeonato, demonstrando assim que somos diferentes não só no amor e dedicação pelo Clube, mas também na forma como reagimos à falta de consideração pelo nosso VITÓRIA.
Guimarães, 05 de Abril de 2007
A Direcção do Vitória Sport Clube
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Megafonix2: Petardos proibidos por Lei mas disponíveis na internet a preços acessíveis |
O forte estrondo que causam é utilizado pelas claques como meio de intimidação para os adeptos rivais. A sua pequena dimensão e a facilidade com que passam na revista feita pelos «stewards» fazem com que o rebentamento de petardos nos estádios portugueses continue a ser frequente.
O arremesso de vários petardos pela claque «Super Dragões» durante o último Benfica-F.C. Porto, que atingiram alguns adeptos do Benfica no sector abaixo, veio relançar o debate sobre o clima de segurança nos estádios portugueses e colocar muitas
questões. Este tipo de material é proibido pela legislação portuguesa, a sua entrada nos estádios está claramente vedada por lei.
O facto é que os petardos estão disponíveis em vários «sites» estrangeiros na internet, especializados em material pirotécnico e artigos para claques. O site italiano www.tifo.it é o local preferido dos elementos das claques portuguesas para a compra de material pirotécnico. O «site» faz a venda de petardos por correspondência, tal como de outros artigos pirotécnicos.
Uma caixa de 50 petardos «raudi», utilizados especificamente pelas claques italianas, está ao alcance de qualquer pessoa por apenas cinco euros, mais portes de envio. Também o «site» espanhol www.petardos.org disponibiliza este tipo de material, disponível para todas as pessoas, com os preços a variarem entre 1,50 e 6,50 euros. Este tipo de explosivos, desde há muito utilizados em Itália e Espanha nas festividades, começaram a entrar em Portugal impulsionados pela admiração das claques portuguesas por tudo o que se passava nas claques italianas, país onde é permitida a utilização de pirotecnia nos estádios.
Há ainda que contar com os artigos de fabrico artesanal, que são produzidos e vendidos no mercado negro, sendo de difícil controlo para as autoridades.
Petardos proibidos por lei, a não ser para fins agrícolas
A utilização de petardos é proibida em Portugal, excepto para fins agrícolas e mesmo neste casos têm que ser licenciados pelas autoridades competentes. Carlos Macedo, presidente da Associação Portuguesa dos Profissionais de Pirotecnia (APIPE), explica ao Maisfutebol que «todo o material que for encontrado e não esteja licenciado será apreendido e o seu utilizador irá responder a um processo judicial».
O artigo 24º da lei 521/71 explica que «é proibido o lançamento de artifícios pirotécnicos designados por bombas de arremesso, salvo na defesa de produções agrícolas ou florestais e no exercício autorizado da caça de batida».
A legislação portuguesa para a violência no desporto também é clara em relação a estes produtos, sendo que o artigo 17º da lei nº38/98 refere que «o uso e porte de armas e substâncias ou engenhos explosivos ou pirotécnicos é punido nos termos legais vigentes».
O caso very-light, que causou a morte de um adepto do Sporting na final da Taça de Portugal com o Benfica, em 1996, foi o ponto de partida para a proibição expressa de materiais pirotécnicos nos estádios portugueses.
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Bofialog2: Sindicato dos Oficiais de Polícia indignado com Luís Filipe Vieira |
O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP) reagiu esta quinta-feira com "indignação" às palavras do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, que acusou a subcomissária Paula Monteiro de "inverdades" e de estar mais preocupada com a imagem.
Ainda no rescaldo dos incidentes verificados no Benfica-FC Porto (1-1) deste domingo, Luís Filipe Vieira acusou terça-feira a subcomissária da PSP de não dizer a verdade e afirmou que a PSP permitiu que adeptos portistas saltassem por cima dos torniquetes.
Em comunicado, a SNOP "expressa a sua indignação pela forma como o presidente do Benfica se referiu à subcomissária" e manifesta a Paula Monteiro "a sua solidariedade e apoio incondicional".
O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia acusa Luís Filipe Vieira de atitude inqualificável, considerando que o presidente do Benfica "personalizou a questão (...), atingindo de forma indecorosa e grosseira a figura de uma Oficial da PSP".
O SNOP diz ainda que em momento algum o Comando Metropolitano da PSP faltou à verdade e apenas se limitou a esclarecer os factos que estiveram na origem dos incidentes, em que adeptos do FC Porto arremessaram petardos, cadeiras e garrafas aos seguidores do Benfica.
"Da mesma forma que os profissionais da PSP não têm pretensões a ensinar ao SLB absolutamente nada sobre gestão ou técnica futebolística, não reconhecemos ao Sr. Luís Filipe Vieira qualquer qualificação e muito menos autoridade em matéria de segurança", acrescenta o texto.
‘Decisões dos clubes criam problemas’
A finalizar, a SNOP refere ainda que não é a primeira vez que as direcções de alguns clubes tomam decisões, quer de bilhética quer de controlo de acesso aos estádios "que criam graves dificuldades ao trabalho dos profissionais da PSP".
Num primeiro momento e após os incidentes, a PSP acusou o Benfica de ter unilateralmente decidido colocar os cerca de 3.500 adeptos do FC Porto num anel superior do Estádio da Luz, comprometendo a segurança.
Durante a partida da 23.ª jornada do campeonato, que manteve o campeão e líder, FC Porto, com um ponto de vantagem sobre o Benfica, 50 adeptos dos dragões foram retirados das bancadas para serem revistados e a maioria não regressou para dentro do estádio.
quarta-feira, abril 04, 2007
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Liga Betadine2: Como funciona o sector visitante do Dragão? |
"Apesar de não querer falar sobre os métodos de organização de jogos que vigoram na Luz, Eduardo Valente deixou bem claro que no Estádio do Dragão é muito difícil assistir-se aos acontecimentos do último clássico. As razões vêm logo a seguir. "O FC Porto assume-se como um clube europeu e previu na concepção do estádio o cumprimento escrupuloso das recomendações da UEFA. O sector visitante tem uma capacidade máxima de 2500 lugares, ou seja, cinco por cento da lotação, está bem identificado e tem infraestruturas próprias, como posto médico, wc, bares e áreas para espectadores com deficiências motoras, isto para além de uma entrada exclusiva para os adeptos, com acessos simples e estanques para o exterior", esclareceu Eduardo Valente. Primeira grande diferença para a Luz: nas últimas três épocas os adeptos portistas ficaram colocados em três sítios diferentes. "Não alteramos rotinas e desde o início que o sector visitante é sempre o mesmo, na Bancada Norte, que tem apenas um único anel e, portanto, sem adeptos por cima. O arquitecto Manuel Salgado já sabia da colocação dos adeptos visitantes. E os próprios adeptos do FC Porto que ficam nas áreas limítrofes do sector visitante já sabem da existência desse espaço".
A entrada dos adeptos visitantes no Estádio do Dragão processa-se calmamente, já depois da revista minuciosa. A porta é exclusiva para o sector visitante e tem seis torniquetes para uma capacidade máxima de 2500 pessoas, possibilitando cada um a entrada a 600 adeptos por hora, o que dá, no total dos seis, 3600 espectadores, mais do que a capacidade, portanto, e mais do que suficiente para evitar problemas desnecessários.
Sector com espaço variável
"O sector visitante do Estádio do Dragão fica na Bancada Norte, junto à Bancada Nascente, e tem capacidade máxima para 2500 pessoas. A colocação é sempre a mesma, mas, dependendo do pedido de bilhetes do adversário, o sector diminui ou aumenta. Para delimitar a zona, e impedir o contacto físico com os adeptos portistas, são usadas lonas de segurança que retiram entre 500 e 600 lugares ao estádio e ainda a colocação de assistentes de recintos desportivos ao redor do sector. Tudo em nome do respeito das normas de segurança."
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Bofialog2: Videovigilância ineficaz nos estádios de futebol |
O sistema de videovigilância do Estádio da Luz não permite fazer a identificação dos adeptos que arremessaram petardos e cadeiras para o andar inferior do estádio durante a partida entre o Benfica e o F. C. Porto. A situação parece estender-se à generalidade dos estádios, pois em Portugal nunca as autoridades conseguiram fazer uma identificação positiva de adeptos responsáveis por distúrbios durante espectáculos desportivos. Isto apesar de ainda antes do Euro 2004 todos os novos estádios terem sido aparentemente dotados das mais modernas tecnologias nesta matéria.
O arremesso de objectos por parte de adeptos alegadamente ligados aos Superdragões continuou ontem a marcar a actualidade. Fontes do Benfica garantem que não é possível efectuar a identificação porque a qualidade das imagens não o permite e que talvez por isso a polícia ainda não tenha pedido para efectuar o visionamento. As forças políciais, no entanto, dizem que já observaram as gravações e que só as imagens de "zoom" tornam a identificação difícil, atirando para expedientes utilizados pelos adeptos a dificuldade na identificação (cachecóis em torno da cara e vários cúmplices à volta). No entanto, o sistema de vídeo da Luz corresponde ao exigido pela lei.
Os encarnados, baseados em pessoas que testemunharam a entrada dos adeptos portistas no estádio, sustentam igualmente que a PSP incentivou simpatizantes e pessoas das claques a saltarem as barreiras de segurança e vários torniquetes dada a elevada aglomeração existente nesses locais.
Por outro lado, o JN sabe que a direcção e a SAD encarnadas estão pouco ou nada disponíveis a alterar, no futuro, o sítio (bancada superior Norte) escolhido no clássico para acolher os adeptos do clube visitante. O Benfica argumentará que não dispõe de espaço no piso inferior que possa albergar mais de duas mil pessoas. Nesta vertente, a Liga de Clubes passou, em Junho de 2006, a obrigar todos os emblemas a ceder 5% da lotação aos conjuntos opositores. Corre também, no Benfica, a tese que é necessário terminar, de uma vez por todas, a violência nas claques sob o risco de que, se tal não suceder, ser melhor terminar com esses grupos organizados.
As investigações estão a cargo da Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa, que está a trabalhar a par da 3.ª Divisão. Ao mesmo tempo está a ser elaborado um relatório sobre os incidentes no estádio, uma rotina em todos os jogos, mas agora com a preocupação também de averiguar se houve uma falha na segurança, tendo em conta que o efectivo policial chegou a ser reforçado, para fazer face ao cenário de risco que constituía o encontro. Em todo o caso, fontes da PSP insistem em que a responsabilidade das revistas está a cargo, por lei, aos "stewards", cabendo à Polícia a inspecção apenas de indivíduos que apresentem comportamentos suspeitos.
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Bofialog2: Sindicato da Bófia responsabiliza Benfica |
O Sindicato Nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP) não tem dúvidas que os agentes destacados para o clássico "foram exemplares". As falhas são atribuídas ao Benfica.
Armando Ferreira, presidente do Sindicato, sublinhou que cabe aos "stewards" fazer a revista aos adeptos e que à PSP compete a garantir segurança e evitar confrontos, o que diz ter sido feito "exemplarmente".
Segundo Armando Ferreira, o problema não se deveu ao facto dos simpatizantes do FC Porto estarem num anel superior mas sim controlo de entradas e numa ineficaz revista aos adeptos, que entraram no estádio munidos de garrafas e petardos. "Em primeira instância a culpa é do Benfica", frisou.
Armando Ferreira acredita que no Benfica-Sporting, a 29 de Abril, as coisas serão diferentes, não só porque a PSP reforçará o número de agentes destacados, mas também porque os "stewards" irão revistar como deve ser.
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Bofialog2: Prosegur diz ter "zero de responsabilidades" |
A Prosegur, empresa responsável pela segurança privada no Estádio da Luz, nomeadamente a revista dos adeptos na entrada do recinto, recusou ontem quaisquer responsabilidades nos incidentes registados no clássico. "O nosso trabalho foi bem feito, e este problema não nos diz respeito. Temos o sentimento de dever cumprido", declarou ontem Jorge Couto Leitão, administrador-delegado da empresa, a O JOGO.
No centro da questão está a entrada no interior do estádio de diversos petardos, que não foram detectados na revista pelos assistentes de recinto desportivo ("stewards"). "Limitamo-nos a cumprir as directivas definidas pelo Benfica e pela PSP. A Prosegur tem zero de responsabilidades", declarou Jorge Couto Leitão, garantindo: "Fazemos as revistas dos adeptos em moldes eficazes."
O responsável da Prosegur lembrou as declarações do dia anterior da subcomissária da PSP Paula Monteiro, quando esta referiu a facilidade de esconder um petardo num maço de cigarros. "A melhor maneira de resolver a questão dos petardos é através das câmaras de televisão", finalizou.
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Liga Betadine2: Luís Filipe Vieira na íntegra sobre os incidentes no Benfica-FC Porto |
O que se passou no jogo com o FC Porto a nível de segurança?
Preparámos o jogo com grande responsabilidade e queríamos torná-lo num hino ao futebol. Infelizmente, não conseguimos, e a culpa não é nossa. O Paulo Silva, que é o nosso director de segurança e um grande profissional, teve reuniões periódicas com as forças de segurança. O Benfica fez o que estava ao seu alcance e tem a noção exacta de que fez tudo o que podia. Agora, nunca pensou que estivessem para chegar vândalos.
A PSP diz que não foi ouvida sobre a colocação dos adeptos do FC Porto...
Tenho de dizer à subcomissária que há alturas na vida em que é melhor estar calado. Tudo o que tem dito são inverdades. Quem mandou aquela claque saltar por cima dos torniquetes? Na porta 23, não temos quatro torniquetes, mas sete, que têm uma capacidade de escoamento de mil pessoas por hora, e o que sucedeu era que a aproximação ao torniquete era de 300/400 pessoas. Se cumpríssemos algumas instruções que nos tinham dado, que era para [os adeptos do FC Porto] entrarem pela porta 24, o que recusámos, então se calhar as coisas teriam sido muito piores.
A polícia deixou entrar os adeptos do FC Porto?
Como é possível, numa bolsa de segurança de seis filas, com os "stewards" e forças de segurança infiltrados na claque do FC Porto, uma cadeira, que pesa um quilo e meio, chegar cá abaixo? Há conivência de alguém. As pessoas têm de apurar responsabilidades, e o Benfica quer um rigoroso inquérito. Vamos até às últimas consequências.
Quem colocou a claque do FC Porto naquela zona?
Foi algo negociado entre o nosso director de segurança e a polícia. A subcomissária disse mais uma inverdade, que o Benfica enviou os bilhetes quando nada estava decidido. É mentira, porque só demos autorização para enviar os bilhetes quando estava tudo acordado com as forças de segurança, o que pode ser testemunhado por quem esteve lá – porque ela não esteve – e pela Prosegur.
O Benfica também tem culpa nos incidentes?
O Benfica não tem culpa nenhuma. Se os acessos fossem respeitados através dos torniquetes e não entrassem em turbilhão, não iria suceder o que sucedeu. Os administradores da SAD [do FC Porto] e o seu presidente estiveram no nosso camarote presidencial e foram bem recebidos. De certeza que o presidente do FC Porto não foi agredido com uma garrafa de água. Alguém está a tentar ilibar-se da sua própria responsabilidade. A responsabilidade é das forças de segurança e das claques do FC Porto. O que se passou na porta 23 é muito grave. Se houvesse uma manifestação ou uma greve qualquer, as pessoas eram corridas à bastonada, e ninguém tinha problemas. Ali parece, que prestaram vassalagem àqueles senhores, deram-lhes mais força para fazerem o que quiseram.
Perante os incidentes ocorridos frente ao FC Porto, qual vai ser a posição do Benfica no jogo com o Sporting?
Pessoalmente, fui da opinião de não entregar bilhetes ao FC Porto. Tivemos o cuidado de, na nossa bilhética, vendermos bilhetes só a sócios e a um acompanhante de sócio, e esses bilhetes estão todos identificados com o número de sócio. As coisas que se passaram são muito graves, temos de enfrentar mais uma situação. Já estivemos no caso Apito Dourado e no caso do "doping", agora temos de estar, também, no caso das claques.
O Benfica está a lavar as mãos dos incidentes que aconteceram no Estádio da Luz?
Não lavamos as mãos do que sucedeu. Vamos marcar reuniões com o Conselho Nacional contra a Violência no Desporto e também com a Procuradoria-Geral da República, e o Benfica reserva-se ao direito de, no próximo jogo considerado de alto risco, fazer o que bem entender. Irei ter uma conversa com o presidente do Sporting, porque o que se passou no Estádio da Luz é muito grave.
Admite não ceder bilhetes ao Sporting no próximo jogo entre as equipas?
Já o disse ao presidente da Liga [Hermínio Loureiro] e, a partir deste momento, sou eu quem decide se vai haver bilhetes ou não para o grande jogo. Isso passa pela conversa que vou ter com Soares Franco, presidente do Sporting, que irá compreender os nossos receios, e tenho a certeza absoluta de que, se o Benfica vender um bilhete a um sócio e a um acompanhante, não vai ter problemas de segurança no estádio. Alguém tem de assumir esta responsabilidade, e a subcomissária não nos vai dar lições do que é segurança. Não esteve em nenhuma reunião, não sabe o que se passou, ou então deve estar muito preocupada com a sua imagem. Aparece em todo o lado, e o que se passou não foi nenhuma telenovela. Foi um facto real, tal como o caso do Apito Dourado e o caso do "doping". Andam a fugir às verdades.
Segundo a regulamentação da Liga de clubes, o Sporting tem direito a uma percentagem de bilhetes para os seus adeptos...
Neste momento, vamos ver qual a posição que a Liga vai tomar. Sou presidente do Benfica, fui eleito pelos sócios do Benfica e estou aqui para defender os interesses do clube e não para ver, nos jornais, o nome do clube, pensando que a Direcção do Benfica é formada por alguns criminosos, que foram à procura de violência. Não vamos brincar mais com isto. As pessoas e os responsáveis têm de encarar isto de frente e, se querem claques, têm claques, se não querem claques, não querem claques. Vou ter uma reunião com os No Name Boys e com os Diabos Vermelhos para os sensibilizar, e tem havido uma postura correcta das nossas claques. Os No Name Boys são todos sócios do Benfica, têm 800 cativos no Estádio da Luz, e, nos Diabos Vermelhos, a grande maioria são, também, sócios do Benfica e estão todos eles suficientemente identificados.
segunda-feira, abril 02, 2007
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Liga Betadine2: Presidente da Liga lamenta "episódios tristes da Luz" |
O presidente da Liga de Clubes, Hermínio Loureiro, comentou hoje os «tristes episódios» registados ontem no Estádio da Luz antes, durante e após o Clássico entre Benfica e FC Porto.
"Os tristes episódios que ontem mancharam o grande jogo da Luz têm que ser banidos de uma vez por todas", declarou hoje Hermínio Loureiro à Renascença. O presidente da Liga volta a apelar ao ´fair-play´ dentro e fora das quatro linhas. "Não queremos que sejam cometidos excessos nem exageros e que as atitudes éticas prevaleçam", palavras de Hermínio Loureiro.
Três feridos e outros tantos detidos é o saldo negativo de uma noite em que situada no terceiro piso da Luz a claque do FC Porto arremessou petardos e cadeiras que atingiram adeptos do Benfica. Entretanto a PSP atribuiu hoje parte da responsabilidade dos acontecimentos ao Benfica, dispondo-se a colaborar desde já na rectificação do que correu mal para o próximo jogo Benfica-Sporting.